Vida de estudos e feminilidade

 

Por Carolina Agnelli*

 

No dia  9 de agosto a Igreja celebra a vida e morte de Santa Edith Stein, santa e uma das maiores filósofas de todos os tempos. Edith Stein palestrou muito a respeito da feminilidade numa época em que o feminismo estava em alta, dizendo que ser verdadeiramente feminina era justamente o contrário do que as feministas pregavam. Edith Stein foi uma filósofa com fortes influências tomistas (medievais, escolásticas!), fato que também era sinal de que nadava contra a corrente do seu tempo. No dia de hoje, me sinto impelida a escrever sobre algo que a Santa bateu muito na tecla: a importância do desenvolvimento do intelecto na mulher.

A alma enforma o corpo, ou seja, a alma dá forma ao corpo. A forma que a matéria tem necessariamente deriva das condições essenciais de cada coisa, sua essência. Essa premissa foi fortemente defendida por São Tomás de Aquino e consequentemente por Edith Stein. Quando falamos de ser mulher, comecemos pela matéria. Como é o corpo da mulher? Tudo remete à geração de uma vida, a disposição das partes, as curvas, os seios… tudo tende a remeter à maternidade. Segue-se então que a alma, para enformar o corpo da mulher assim, é também cheio de características maternas, estando a maternidade na essência do ser feminino.

Por este motivo vemos a mulher com forte tendência ao acolhimento, ao cuidado, à educação, à atenção às coisas concretas, à sensibilidade. Para cuidar, é preciso ser sensível, prever acontecimentos, estar atenta à necessidade do outro. É aí, justamente na sensibilidade, que pode estar a vitória e ou o declínio do ser feminino. Essa sensibilidade tem forte tendência a se tornar sentimentalismo: a mulher passa então a se desinteressar por tudo que concerne à razão como a filosofia e a matemática, a prudência, e sobriedade, e começa a se deixar levar pelos instintos primitivos de cuidar apenas da vida alheia. Todo mundo conhece uma mulher que só sabe falar de si mesma, dos conhecidos, dos parentes, dos amigos… Seu pensamento vagueia sempre por assuntos supérfluos.

Edith Stein recomenda como remédio a essa sensibilidade excessiva o desenvolvimento do intelecto na mulher. Ou seja, é preciso que toda mulher cultive uma vida de estudos. Somente ao pensar profundamente nos assuntos, ajudada pelos grandes pensadores das épocas, é que a mulher irá reequilibrar sua tendência ao sentimentalismo, à preocupação excessiva por coisas pouco profundas e passageiras, à fofoca… Somente assim, a mulher irá conseguir se aprofundar no mistério da vida, e não será enganada facilmente por tendências, jornalismo, ideologias.

Na prática, a mulher deve ter um tempo reservado à leitura e meditação de assuntos profundos diariamente, e cultivar meios de falar sobre o que tem estudado, seja com outras pessoas, através de aulas, pela escrita… Mesmo casada ou com filhos, a mulher não deve se render somente a assuntos familiares, mas se preocupar também com algumas questões fundamentais que venha a ter: O que é o bem? O que é o belo? Enfim, que cada uma identifique as suas.

Atualmente, temos (que bom!) uma onda de retorno da mulher ao lar, mas abandonar o emprego não significa abandonar o próprio desenvolvimento da personalidade, o conhecimento de assuntos que desde sempre encantaram o ser humano, a meditação em questões profundas e eternas. Uma personalidade que não é apoiada pela literatura, artes em geral, filosofia, psicologia, história e tradição, e tantos outros meios de conhecimento (além de Deus e da religião) é uma personalidade leviana.

Edith Theresa Hedwig Stein, O.C.D., canonizada como Santa Teresa Benedita da Cruz (12 de outubro de 1891 – 9 de agosto de 1942), foi uma santa, filósofa e teóloga alemã nascida judia que se converteu à Igreja Católica. Foto: Divulgação

 

*Carolina Agnelli é especialista em Filosofia da Arte, Estética e História da Arte.
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